domingo, 22 de abril de 2012

Ser simples





"...Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas." Mt.10:16




Felizmente existe a ideia da simplicidade, e esta é, digamos, simples desde sua origem. A palavra é formada por duas outras de origem latina: sin, que significa único, um só, e plex, que quer dizer dobra. Ser simples significa ter uma só dobra, ao contrário do complexo, que tem várias. Simples! 
Simplificar significa evitar a complexidade e criar uma vida sem mistérios? Há uma diferença fundamental entre ser simples e ser simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. Eu conheço pessoas sofisticadas, intelectualizadas, que levam uma vida plena, realizam trabalhos difíceis, apreciam leituras profundas e têm hábitos peculiares. E continuam sendo pessoas descomplicadas. Conheço também pessoas simplórias, com pouca profundidade, que realizam trabalhos repetitivos, que têm poucas ambições, que apreciam rotinas e evitam os sustos de uma vida aventurosa. E mesmo assim são pessoas complicadas, para elas tudo é muito difícil, em geral impossível.

Não há um paradoxo em construir uma vida simples em meio à vida moderna, cada vez mais exigente? Hiroshi criou a Ecovila Clareando, uma comunidade autossustentável no interior de São Paulo que atrai gente comprometida com a natureza e com seus valores, como a sustentabilidade, sem a ingenuidade das "sociedades alternativas" de antigamente, mas tendo a simplicidade como filosofia. Ele planta e produz praticamente tudo o que precisa para se alimentar, domina as técnicas de construção ecológica e de produção de energia limpa. Mas não é um isolado, viaja, participa de congressos, dá palestras, toca violão, compõe músicas. E é alegre em tempo integral.

Goldberg é professor da New York University, onde faz pesquisas sobre o cérebro humano, e consegue falar sobre seu funcionamento de maneira compreensível. Escreveu alguns livros, entre eles O Paradoxo da Sabedoria, em que afirma que, apesar do envelhecimento do cérebro, a mente pode manter-se jovem. Seus textos são o melhor exemplo de como se pode simplificar o complexo, pois são sobre neurofisiologia, mas qualquer um entende.

Eu não poderia imaginar vidas mais diferentes e, ao mesmo tempo, mais parecidas. Ambos carregam uma leveza própria das pessoas que decidiram não complicar, sem abrir mão de seus desejos, projetos, pequenos luxos, enfim, da vida normal. Pessoas assim, que fazem a opção da simplicidade, têm alguns traços comuns. Identifico cinco deles:

1. São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.

2. São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não "enrolam" nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.

3. Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.

4. Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.

5. São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.

Ser simples, definitivamente, não é abrir mão de nada. É possível apreciar o conforto, a sofisticação intelectual, as artes, o prazer da culinária, a aventura das viagens e continuar sendo simples.

Pois ser simples não é contentar-se apenas com o mínimo para manter-se fisicamente vivo, uma vez que não somos só corpo, também somos imaginação, intelecto, sensibilidade e alma. E esta última é, sim, simples, mas não é pequena, a não ser, é claro, que a pessoa queira.

Autor: Eugenio Mussak - Edição: MdeMulher


sábado, 7 de abril de 2012

Ele floresceu ao terceiro dia



"E será que a vara do homem que eu tiver escolhido florescerá; assim farei cessar as murmurações dos filhos de Israel contra mim, com que murmuram contra vós.
Falou, pois, Moisés aos filhos de Israel; e todos os seus príncipes deram-lhe cada um uma vara, para cada príncipe uma vara, segundo as casas de seus pais, doze varas; e a vara de Arão estava entre as deles.
E Moisés pôs estas varas perante o SENHOR na tenda do testemunho.
Sucedeu, pois, que no dia seguinte Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores e brotara renovos e dera amêndoas." 
Números 17:5-8









"E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações?
Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.
E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.
E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer?
Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel;
O que ele tomou, e comeu diante deles.
E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos." 
Lucas 24:38-44













Você já escutou que é muita pretensão achar que só Jesus é o enviado de Deus para manifestar ao mundo o verdadeiro caminho para a salvação. Este tipo de dilema não é novidade na história da fé. Quando o povo de Israel saiu do Egito e peregrinou para a terra prometida foi liderado por Moisés e Arão era o sacerdote estabelecido por Deus para ministrar pelo povo. Surgiu então entre a congregação através de um homem chamado Corá o seguinte argumento: "Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do SENHOR?"Nm. 16:3

Quantas vezes tem surgido argumentos parecidos em relação aos ensinamentos de Jesus e a sua verdade, eles semelhantes ao de Corá fazem as seguintes perguntas: quem disse que Deus não enviou outros espírito evoluídos como Jesus para nos revelar a verdade, quem disse que Buda, Maomé, Dalai Lama, Alan Kardec e outros não foram enviados por Deus para ensinar o caminho da verdade?

O povo de Israel começou a ver na argumentação de Corá uma certa lógica e foram procurar Moisés para apresentar o argumento e solicitar o direito de escolher e ser escolhido como representante da verdade e de Deus.

Assim também acontece em nosso dias muitos reivindicam o direito de ser representantes da verdade e de Deus, estas "verdades" e estes "representantes" aparecem de tempos em tempos na história da humanidade.

Diante de tal fato Deus demostra ao povo que só existia um escolhido por Ele para ser sacerdote, de uma forma soberana e milagrosa que não poderia ocorrer sem a interferência do Criador da Vida, o Senhor Deus de Israel pede que cada uma das doze tribos apresentasse doze varas de amendoeiras representando seus príncipes, estas vara iriam ficar perante o Testemunho na tenda do Senhor e a vara do escolhido pelo Senhor floresceria.

Pense uma vara de amendoeira cortada do tronco, a lógica diz que ela morreria , primeiro murcharia perdendo o vigor e depois secaria mas a sabedoria e conclusões do homem não são as do Deus Eterno. Para o espanto de todos, no dia seguinte após Moisés ter deixado as varas na Tenda diante do Testemunho, havia uma vara que florescera, brotará renovo e frutificara ela pertencia ao príncipe da tribo de Levi seu nome era Arão, esta era a prova para o povo que de fato Deus o escolherá para apresentar expiação pelo pecado do povo de Israel .

Aleluias, Jesus foi arrancado dos homens lançado como um vara na terra mas Ele tinha por testemunho o Pai e diante de todos ao terceiro dia Ele floresceu, como renovo frutificou a vida em nosso corações. Jesus levou sobre si como Eterno sumo sacerdote o pecado de toda humanidade , foi a própria expiação das nossas iniquidades.

Ele é o escolhido de Deus pois foi o único que floresceu , ressuscitou e esteve com os seus discípulos consolando sus corações através das marcas em seu corpo pode cumprir as suas promessas gerando uma ousadia e fé inabalável, frutificando o amor em seus corações e nos nosso também.











"Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."
Hebreus 4:14-16


domingo, 25 de março de 2012

Testemunho de uma mulher refugiada



Cura para uma refugiada em dor


“De repente, fui arrancada de todas as coisas familiares, o medo invadiu meu coração, e precisei contar com a boa vontade de estranhos, num país que não conhecia. O estresse de tentar superar a língua, e me adaptar a comer outros tipos de alimento é muito difícil e muito solitário.”
Quando Mehret* se converteu aos 29 anos, já havia passado por várias crises dolorosas na vida. Depois de crescer em uma família rica, ela se apaixonou por um jovem de sua cidade, porém ele a abandonou quando ela manifestou uma doença de pele incurável.
No sexto mês de gravidez de seu filho, Mehret caiu em desespero e se jogou de sua varanda. "Eu ainda não estou certa se queria tirar a minha própria vida, a do meu filho, ou de ambos. ", afirmou.
Embora ela e seu filho recém-nascido tenham sobrevivido, ela ficou tão envergonhada por sua aparência desfigurada que passou a cobrir o rosto. Através de um vizinho cristão, que compartilhava o amor de Deus com ela e a levou para uma igreja evangélica, Mehret confiou em Cristo e começou a lidar com o fato de ser mãe solteira e com sua enfermidade.
Dez anos mais tarde, as autoridades da Eritreia começaram uma repressão feroz contra os cultos não oficiais e Deus a levou a renunciar seu trabalho para dedicar-se em tempo integral na igreja.
"Fui para a linha de frente quando o governo começou a perseguir os cristãos", disse ela. "Quando a nossa igreja foi fechada, me ofereci para hospedar comunidades secretas em minha casa. Então não me surpreendi quando fui presa em 2004."
Mehret não foi torturada e, depois de três meses, foi solta com severas advertências para parar de realizar reuniões da igreja. Mas ela não parou, e então quando foi novamente presa em 2006, foi espancada. Percebendo que sua vida estava em perigo, decidiu jejuar por intervenção de Deus. As autoridades da prisão entraram em pânico, pensando que ela estava em greve de fome até à morte. Após 52 dias, eles a liberaram sob a custódia de sua irmã.
"Eu estava muito magra e fraca, já que só tomava pequenos goles de água, mas aos poucos me recuperei."
A esta altura, os cristãos da Eritreia tinham estabelecido uma rede de apoio clandestino para contrabandear comida, medicamentos e até Bíblias para os cristãos presos. "Depois de ser detida duas vezes, eu entendi o impacto disso para os presos, e trabalhei ainda mais para enviar suprimentos", disse Mehret.
Então, em meados de 2009, um líder de sua igreja que havia sido preso por quatro anos ficou muito doente. Temendo que ele morresse na prisão, os oficiais o soltaram sob custódia. "Me foram dadas ordens estritas para que ninguém o visse ou houvesse qualquer contato dele com o mundo exterior."
Mas sua saúde continuou a deteriorar-se, e sem assistência médica adequada disponível na Eritreia, ele fugiu do país para buscar tratamento no Exterior.
Sua fuga deixou Mehret em risco, enfrentando as repercussões, uma vez que o Governo percebeu que ele estava desaparecido. Então ela fugiu um dia antes de as autoridades chegarem para prendê-la. "Eles saquearam minha casa e ameaçaram minha família, exigindo saber o meu paradeiro. Deus me tirou na hora certa!"
Uma vez foragida, Mehret foi levada por um companheiro refugiado que a conectou com a Portas Abertas. A equipe da Portas Abertas auxiliou nas necessidades básicas, como o pagamento do aluguel, enquanto os documentos específicos para os refugiados estavam sendo processados, o que é sempre um processo muito demorado.
"A equipe da Portas Abertas orou comigo e me incentivou, oferecendo sua amizade e apoio quando me senti desanimada", disse Mehret. "Neles eu encontrei uma nova família e, o melhor de tudo, posso ver o amor de Cristo em ação através deles."
"E eles nem notaram a minha doença na pele!", ela afirma. "Isso me ajudou muito, a me aceitar. Agora não cubro meu rosto."
"Ser uma refugiada é muito difícil. Sinto falta da minha família, especialmente do meu filho", disse Mehret. "Mas eu sou grata, porque tudo isso me ensinou a confiar no Senhor, de uma maneira que nunca fiz antes. Eu sei que me encontrarei com meu filho no lugar que Deus preparou para nós - talvez em outro país, ou aqui, ou quando eu voltar para casa, se a situação mudar.”
"Eu confio em Deus, porque Ele me prometeu: 'Eu tenho um lugar para você, minha filha. Seja paciente’. "
* Pseudônimo
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoCarla Priscilla Nogueira
 
 
 
 
"Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;" 2 Coríntios 4:9
 
 

domingo, 11 de março de 2012

A verdade sobre a mentira



O mistério da mentira

As "palavras certas" no convívio com os outros são cada vez mais pura mentira. Pois apresentar a verdade em doses reduzidas facilita a vida. Os americanos chamam essa "forma elaborada" de comunicação de "mentiras brancas". Aqueles que sempre dizem a verdade são considerados irremediavelmente ingênuos. Além disso, eles facilmente ganham inimigos. Calcula-se que uma mentira vem aos nossos lábios cerca de 200 vezes por dia, em média uma a cada 5 minutos. Começando por falsos elogios ("Você está com excelente aparência!") até mentiras descaradas ("Hoje eu não posso ir ao escritório, estou gripado").
Há alguns anos ocupam-se com o mistério da mentira não apenas filósofos, mas também cientistas políticos e psicólogos. O resultado das pesquisas sobre a mentira:
– Mentira e engano estão nos nossos genes, foram e são o motor da evolução. Os biólogos presumem que o desenvolvimento do cérebro humano só foi possível por ter que lidar com enganos.
– Nós adulamos, engodamos e sorrimos diariamente com olhar inocente para manter uma boa atmosfera ou para nos apresentar numa luz mais favorável. Principalmente os cônjuges e familiares são enganados de maneira intensa. Eles são vítimas de dois terços de todas as mentiras graves – segundo as análises de diários da psicóloga americana Bella DePaulo da Universidade da Virgínia em Charlottesville.
– Talento para enganar é sinal de inteligência – um fator de sucesso, tão útil como perspicácia, intuição ou criatividade. "O sucesso profissional de um executivo depende em 80% da sua inteligência social", afirma Howard Gardner, psicólogo da Harvard School of Education. Também Peter Stiegnitz, um pesquisador da mentira em Viena (Áustria), pensa que os "carreiristas preferem trabalhar com jeito e charme ao invés de fazê-lo com aplicação e perseverança".
O objetivo da educação diplomática: as crianças já aprendem desde cedo que é melhor não dizer à sua antipática tia que acham o beijo lambuzado dela nojento. A alegria dissimulada da mãe ao receber o presente de Natal inútil, os doces escondidos furtivamente e a lei do silêncio sobre inconvenientes familiares são modelos e treinamento para as mentiras diárias no futuro.
Entretanto, as crianças só compreendem a necessidade de mentir entre o segundo e quarto ano de vida, e isso ocorre tanto mais cedo quanto mais inteligentes elas forem. Até então elas não sabem distinguir entre fantasia e realidade. Quando descobrem, então, quão refinadamente é possível lograr os outros, elas o fazem primeiramente em proveito próprio – a fim de evitar castigos ou para receber alguma recompensa. Mais ou menos a partir dos oito anos de idade elas aprendem a diferenciar a simpatia verdadeira da falsa.
No máximo durante a adolescência os jovens aprendem a distinguir com certa precisão se alguém está sendo sincero ou não... (Focus)
É vergonhoso como hoje em dia se lida levianamente com o conceito "mentira" ou com a própria mentira. Há pesquisas e estudos sobre a mentira, tenta-se explicá-la, procura-se a sua origem, mas em geral ela é considerada inofensiva, sim, até mesmo uma necessidade da vida e, em última análise, como algo bom.
Entretanto, como em todas as questões relativas à vida, também sobre a mentira somente a Bíblia – e não quaisquer "pesquisadores da mentira" – pode nos dar a melhor orientação. Ela nos mostra que a mentira não é um mistério, conforme diz o artigo citado, mas um pecado há muito revelado. A mentira consiste em rejeitar a verdade de Deus. Sobre os mentirosos está escrito: "Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira..." (Rm 1.25). Por isso a mentira se estende por toda a história da humanidade. Ela é a culpada pela queda do homem e causa de todos os sofrimentos e de muitas lágrimas.
A mentira não tem sua origem na evolução, mas em Satanás – ele é chamado "pai da mentira". O Senhor Jesus Cristo mostrou isso de maneira inequívoca quando disse: "Vós sois do Diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não me credes" (Jo 8.44-45). Assim, o pecado só entrou no mundo por meio da mentira, pois Satanás enganou os primeiros seres humanos através da mentira: "É certo que não morrereis... mas sereis como Deus" (Gn 3.4-5). A realidade da mentira e do pecado em si falam contra a evolução e a favor do relato da Bíblia, de que somos uma criação caída.
Com toda a certeza a mentira não é indicação de inteligência, mas um sinal característico de uma vida sem Deus, que não ama a verdade e é a identificação de uma natureza pecaminosa. Em 1 João 2.21 está escrito: "...mentira alguma jamais procede da verdade." Por isso, a crescente tendência para a mentira em nossos dias também é um sinal evidente dos tempos finais: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência" (1 Tm 4.1-2).
Como a mentira é o oposto exato da verdade de Deus e assim rejeita o próprio Deus da maneira mais grosseira, ela também será julgada com dureza pelo Deus santo. No último livro da Bíblia está escrito duas vezes com inequívoco rigor:
– "Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro" (Ap 21.27).
– "Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira" (Ap 22.15).
Parece que o pouco de verdade que há no artigo citado é que uma inverdade passa pelos nossos lábios aproximadamente 200 vezes por dia. Em face desta realidade da mentira, como deveríamos tremer diante da verdade que o próprio Senhor Jesus descreve assim: "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo" (Mt 12.36).
Somente estas poucas afirmações da Bíblia nos colocam diante da verdade de que nenhuma pessoa pode ser salva por meio dos próprios esforços. Bastaria pensar isso, para mentir a si mesmo. Mas, Jesus Cristo veio para isto: Ele, a Verdade de Deus em pessoa, a fim de tomar sobre si a nossa culpa, para que nós, exclusivamente pela graça, pudéssemos ser libertos da mentira. Por isso o Senhor Jesus diz em outra passagem: "Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8.31-32). Verdade é reconhecer a mentira como aquilo que ela é: um pecado que nos separa de Deus. Mas verdade também é saber que podemos confessar a Jesus a mentira e todos os nossos outros pecados e pedir perdão. Verdade também é que, então, podemos aceitar o perdão pela fé e com gratidão. Aquele que fizer isso com sinceridade e de todo o coração, receberá o perdão (1 Jo 1.7 e 9), pois Deus não pode mentir.

Norbert Lieth

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Antes tarde do que nunca


 

 

 Sempre é tempo para transformar a vida e continuar a criar. Só é preciso uma mente disposta e determinada


por Eugênio Mussak

Costumamos ouvir a expressão "antes tarde do que nunca" em duas circunstâncias diferentes. A
primeira, mais freqüente, ocorre quando alguém se atrasa com um compromisso e finalmente cumpre com o esperado. Nesse caso, pronunciamos a frase com uma conotação que mistura uma sensação de alívio com uma censura irônica. Algo como: "Ufa! Antes tarde do que nunca. Mas, da próxima vez, vê se não demora tanto". A ênfase vai para a palavra "tarde", e os olhos de quem a pronuncia abrem-se em uma reprovação esbugalhada.
Quando isso acontece, o que está em discussão é o comportamento reprovável de não ter respeito pelo tempo dos outros, ou ainda o de cultivar o hábito de deixar tudo para a última hora e acabar se atrasando. É claro que todo mundo já se atrasou ou demorou para concluir um trabalho, mas para algumas pessoas isso já virou rotina. Dessa forma, dificilmente alguém construirá uma imagem de cidadão responsável.
A segunda maneira de usarmos a famosa frase é melhor, mais alegre e até edificante. Ocorre quando uma pessoa faz algo para o qual estaria muito velha para fazer, pelos padrões convencionais. Nesse caso pronunciamos a frase com ênfase no "nunca". O tom é outro. A expressão facial também. Há um meio sorriso desenhado nos lábios, ao mesmo tempo em que os olhos se fecham ligeiramente, como se a pessoa quisesse olhar para dentro de si mesma.
Eu mesmo já falei várias vezes essa frase, ainda que por meio de variações do tipo: "Puxa, que bom, sempre é melhor fazer tarde do que não fazer nunca!". Lembro-me, por exemplo, de meu velho amigo Sady. Ele era formado em farmácia e, até os anos 60, os farmacêuticos eram autorizados a conduzir a anestesia dos pacientes durante as cirurgias, pois não havia número suficiente de médicos anestesistas.
Só que, de um dia para o outro, os farmacêuticos foram proibidos de aplicar anestésicos durante cirurgias e o Sady perdeu sua profissão. O que poderia ele fazer, considerando que já tinha passado dos 60 anos, o que, na época, dava-lhe status de "idoso"? Que tal uma aposentadoriazinha? Para muitos seria a saída lógica. Mas não para o Sady. Sua opção: estudar medicina.

O tempo, a gente faz
Tive a sorte de ser colega do Sady. Ele não tinha a mesma facilidade para acompanhar as aulas, principalmente porque vinha todos os dias de ônibus desde sua cidade no Paraná, Ponta Grossa, para estudar em Curitiba, viajando cerca de 200 quilômetros diariamente. Mas, durante todos os anos de convivência, nunca o escutamos queixar-se das dificuldades, da viagem, do governo, da sorte. Nada disso. Ele não era homem dado a queixas e sim a superações. Quando cursamos a disciplina de técnica operatória, que incluía muitas cirurgias realizadas em animais, principalmente em cães, quem era o anestesista? O Sady, é claro. Ele anestesiava com arte e com um indisfarçável orgulho. E quer saber? Ele era muito bom no que fazia. Enquanto outros animais muitas vezes morriam, não por causa da cirurgia, mas por causa dos erros anestésicos, aqueles atendidos pelo experiente anestesista nunca tiveram nenhum problema.
Penso em meu colega toda vez que ouço alguém se queixar de que já está muito velho para um novo empreendimento, para voltar a estudar, para uma viagem longa, para mais um casamento, para ter um filho, ou para qualquer tipo de iniciativa que exija a tal "juventude", como se isso fosse uma espécie de qualificação profissional e não o que realmente é: um estado de espírito. Conheço maravilhosos "jovens" de 70 anos que continuam a produzir e amarrotados "velhos" de 30, sem disposição para nada.
Pois é, mas o "antes tarde do que nunca" não se aplica apenas a pessoas mais velhas, mas também àquelas que fazem coisas que são consideradas pela sociedade "fora do seu tempo": uma mulher que tem filhos depois dos 40 anos não é velha, mas ter filho nessa idade é considerado "fora do tempo ideal". Da mesma forma que fazer escola de circo aos 40 anos, ou um curso de dança com 50, ou resolver mudar de profissão quando se está no auge da carreira, ou fazer vestibular junto com seu filho mais novo.

Somos o que pensamos
Na realidade, tudo depende do modo como cada pessoa encara a vida. Ou seja, depende de uma postura, uma atitude. E a atitude começa na cabeça. Há gente que se considera velha, e há gente que parece estar sempre recomeçando, o que absolutamente não significa negar o que já foi feito. Portanto, depende da percepção que a pessoa tem de si mesma. Perceber significa "apoderar-se de uma imagem", "aprender pelos sentidos". E os sentidos variam muito entre os indivíduos. Duas pessoas olham para uma dificuldade. Uma vê um problema; a outra, uma oportunidade. Duas pessoas de mesma idade olham para si mesmas. Uma vê um jovem, a outra vê um velho. E, na maioria das vezes, a diferença está apenas na maneira de ver a si mesmo.
Há um capítulo do estudo da mente humana chamado "psicologia da consciência". Quem lhe deu início foi o médico americano William James (1842-1910), que, antes de estudar medicina, tentou ser um explorador da natureza, tendo estado inclusive na Amazônia. Depois dessa viagem, declarou que se sentia mais estimulado pelos mistérios do espírito humano do que pelas florestas tropicais.
De acordo com James, "todo pensamento tende a ser parte de uma consciência pessoal", o que significa que o raciocínio deriva das experiências e das percepções próprias de cada indivíduo. Inclusive as experiências e percepções sobre si mesmo, o que coloca o indivíduo fora de si, como se fosse um agente externo. E esse agente pode estar "envelhecido" e "derrotado" pelas experiências e pelos estímulos recebidos durante a vida. Ou o contrário disso.
Mas ele também afirmou que, "dentro de cada consciência pessoal, o pensamento está sempre se transformando". Boa notícia. Isso quer dizer que podemos ver o mesmo objeto, ouvir o mesmo som, saborear a mesma comida, e nossa consciência dessas percepções pode mudar a cada vez. Ou seja, cada um de nós pode aprimorar a maneira como se percebe, e isso está na dependência de sua própria vontade. E, claro, das atitudes que decorram dessa vontade. Assim, você estará "fora do tempo" apenas quando decidir.

Disposição para recriar
Tem gente que organiza seus pensamentos a partir de uma consciência construída sobre bases saudáveis e sempre positivas. Meu amigo Carlos Júlio, bem-sucedido executivo que consegue associar uma grande competência nos negócios com uma contagiante alegria de viver, relata uma experiência que diz muito sobre isso. Esteve recentemente visitando o escritor Peter Drucker, autor de obras clássicas sobre a dinâmica corporativa das empresas, em sua casa, na Califórnia, Estados Unidos. Ele conta que, no meio da conversa, o velho mestre disse que havia parado de dar aulas há 16 anos. No entanto, logo depois comunicou que teria que se retirar, pois precisava preparar uma aula que daria no dia seguinte pela manhã. Ao ser indagado sobre a contradição, Drucker explicou: ele tinha parado de dar aulas de administração de empresas, mas agora estava lecionando arte oriental.
Havia se apaixonado pelo tema há apenas cinco anos, mas, para ele, tempo suficiente para se transformar em uma autoridade, a ponto de virar professor. E o melhor: relatou ao atônito brasileiro que, quando ele tinha 20 anos (hoje está com 95), tomou a decisão de dedicar-se a estudar em profundidade um tema a cada cinco anos. Passados 70 anos, ele domina muito bem pelo menos 15 assuntos, além daqueles ligados à sua profissão de administrador. O último tema, arte oriental, começou a estudar com afinco aos quase 90 anos. Tarde? Pois se não fosse agora, seria nunca! O que é melhor?


Ser inteiro em cada ação
A História está repleta de figuras que realizaram grandes feitos em idades avançadas, pois tiveram a capacidade de perceber que não há limites para a determinação. Para elas, nunca é tarde, pois quem acha que é tarde acaba não fazendo nunca. O compositor italiano Giuseppe Verdi escreveu sua obra-prima, a ópera Falstaff, aos 80 anos, e ainda continuou escrevendo depois. O artista italiano Michelangelo aceitou a encomenda de pintar o interior da Capela Sistina aos 63 anos de idade. O filósofo grego Platão deu aulas em sua academia já octogenário. O ator e diretor inglês Charles Chaplin dirigiu o filme A Condessa de Hong Kong aos 78. E o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer já está com 96 anos e continua debruçado na sua prancheta em Copacabana, produzindo maravilhas em concreto e vidro.
Há esses heróis que são eternos por suas obras e por suas atitudes perante a vida. E há também os heróis do cotidiano. Todos conhecemos alguém, uma pessoa comum, ou aparentemente comum, que não passará à posteridade pela literatura, mas que cumpre a missão maior de dar o exemplo de uma vida digna. Que tiveram coragem de buscar a felicidade em uma nova atividade, que não deixaram de arriscar novos rumos, independentemente da idade e do tempo.
O poeta português Fernando Pessoa, assinando em seu nome, ou no nome de um de seus inúmeros heterônimos, escreveu sobre as várias facetas da alma humana. Produziu muito sobre aqueles que cruzam a vida sem sonhos e que, por medo de errar, simplesmente deixam de fazer e de viver. Neste trecho de um poema, ele parece dar um conselho àqueles que se acham pequenos e pensam que já é tarde:
Para ser grande, sê inteiro
Nada teu exagera ou exclui
Sê todo em cada coisa
Põe quanto és no mínimo que fazes
Em cada lago a lua toda brilha
Porque alta vive...

fonte:http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/016/atitude/conteudo_238063.shtml?pagina=1




 "Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor." Eclesiastes 7:12

 


 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O mercador de Pérolas



Jesus disse em Mateus 13 que o Reino de Deus era semelhante a um mercador de pérolas que estava procurando finas pérolas. E quando ele encontrou a pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía a fim de adquirí-la.

- Quero muito esta pérola, disse o mercador de pérolas ao vendedor, quanto custa?
- Bem, diz o joalheiro, ela é muito cara.
- Quanto?
- É uma soma considerável.
- O senhor acha que eu poderia comprá-la?
- Naturalmente. Qualquer pessoa pode comprá-la.
- Mas o senhor não disse que era muito cara?
- Disse.
- Quanto é, então?
- Tudo que você possui, responde o vendedor.
Ele pensa um pouco e depois diz:
- Está bem, eu a compro.
- Então vamos ver o que é que você possui. Vamos
anotar tudo aqui.
- Bem, tenho este tanto de dinheiro no banco.
- Ótimo, e o quê mais?
- Só isto. É tudo o que possuo.
- Nada mais?
- Bem, tenho alguns trocados no bolso.
- Quanto?
- Vejamos... trinta, quarenta, sessenta, oitenta centavos.
- Ótimo. O quê mais você tem?
- Nada mais. Isto é tudo.
- Onde você mora? indaga o vendedor.
- Em minha casa... é, eu tenho uma casa.
- Então a sua casa também entra no negócio, disse o vendedor e acrescentou a casa na lista.
- Vou ter que morar em minha barraca de camping.
- Você possui uma barraca? Ótimo, ela também entra no negócio. O quê mais?
- Bem, agora só me resta o carro para dormir.
- Ah, possui um carro?
- Dois.
- Os dois passam a ser meus. O quê mais?
- Bem, o senhor já está com meu dinheiro, minha casa, meus carros, minha barraca de camping. O quê mais quer?
- Você é só no mundo?
- Tenho esposa e dois filhos.
- Então a esposa e os filhos passam a ser meus também. O quê mais?
- Não me resta mais nada. Estou sozinho agora.
De repente o joalheiro exclama:
- Ah, quase me esqueci, você também entra no negócio. Tudo agora é meu - você, sua esposa, seus filhos, seu dinheiro, seus carros e sua barraca de camping.
E depois continua:
- Agora escute: deixarei que você fique com estas coisas por enquanto. Mas não se esqueça de que elas são minhas, assim como você também. E quando eu precisar de qualquer uma delas você terá que entregá-las, pois eu sou o proprietário.


Autor: Juan Carlos Ortiz
Fonte: O discípulo, Editora Betânia.




"Se alguém quer vir após mim,
a si mesmo se negue,
tome a sua cruz e siga-me."
Mateus 16.24
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Andar lado a lado




Nos tempos modernos, a vida é muito agitada. Tempo tornou-se um artigo de luxo não somente para altos executivos e pessoas com dois empregos e família para cuidar. As demandas individuais têm crescido para todos. Quanto maior o acesso à informação, maior é sua necessidade.
Imagine agora a cena de dois amigos de longa data que se encontram depois de muito tempo e querem colocar o assunto em dia. Um deles está em meio a mais um dos seus atribulados dias de trabalho quando o outro vem visita-lo (depois de marcar uma hora na agenda, é claro). Fato é que, ainda que o encontro tivesse sido previamente arranjado, o anfitrião dividia sua atenção entre seu velho amigo e as várias interrupções  de seu ambiente cotidiano: telefonemas, questionamentos de seus colegas de trabalho, mensagens de sua secretária, etc.
Em meio a toda essa agitação, ambos resolvem sair para almoçar buscando encontrar maior tranquilidade para conversar. Em vão. O amigo ocupado logo toma a dianteira enquanto fala ao celular. Na tentativa de acompanha-lo, mas não conhecendo o que se passa em sua cabeça, o amigo passa a sua frente e nessa alternância vão até o restaurante.
Entre a escolha do prato e a rápida degustação, eles trocam informações leves e superficiais sobre suas vidas nos últimos anos. Relembram os bons tempos e expressam o desejo de que outras oportunidades de encontro venham a se concretizar. De preferência, em um dia mais tranquilo...
Enfim, o encontro tão esperado se passa e a grande expectativa, reatar os laços perdidos com o tempo, não é realizada.
Agora, coloque-se na posição do amigo visitado (creio que não seja muito difícil). Talvez você troque a secretário pelo filho chorando e os telefonemas de negócios pelos credores em sua porta. Mas, no final, dá no mesmo. Experimente então colocar o Senhor no lugar do amigo que visita. Afinal, é ele quem diz “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” Apocalipse 3:20. E é Ele quem quer nos revelar grandes coisas e se tornar nosso amigo.

 “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. “ João 15:15
E então, os acontecimentos mudam ou são os mesmo? É necessário que o Senhor marque hora e lugar para falar conosco e nos levar a refletir? Teimamos nós em manter a inconstância no caminhar? Dividimos nossa atenção com as inúmeras circunstâncias quando ele está calmamente esperando abrirmos nosso coração para ouvi-Lo?
Quem somos nós quando tudo passa e aparentemente resolvemos nossos problemas? Onde está nossa alma? Como está nossa consciência? Nossos laços com o nosso maior amigo estão restaurados ou continuam quebrados esperando uma brecha na agenda para, talvez, serem recuperados?
Os amigos só conseguem andar juntos, no mesmo compasso, quando  andam lado a lado! Quando dão-se os braços e compartilham as situações. Quando ouvem os conselhos e se permitem ouvir os problemas para aconselhar. Os amigos só andam juntos quando param de olhar para si mesmos e olham para o outro. O Senhor só será nosso amigo quando deixarmos de pensar apenas nos nossos planos para ouvir os planos ainda mais altos que Ele sonhou para nós!

“Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.”  Isaías 55.9

Ana Carolina